Blog

Apraxia da Fala na Infância no Transtorno do Espectro Autista

08/09/2020

A Apraxia da Fala na Infância (AFI) pode ser uma comorbidade no Transtorno do Espectro Autista (TEA). Se presente, aumenta as dificuldades para aquisição da fala e fala inteligível. O diagnóstico diferencial ou comórbido pode ser difícil e exige atenção às particularidades de cada condição.

No TEA é comum atraso ou prejuízo na linguagem receptiva e expressiva (verbal e/ou não verbal) associado à dificuldade de iniciar e/ou manter um diálogo e em contextualizar a fala. Na apraxia não há prejuízos na linguagem receptiva e a criança sabe o que quer falar, porém, há comprometimento no planejamento, produção e precisão dos movimentos necessários para a produção da fala e para que ela ocorra no tempo e ordem adequados. Na AFI há variabilidade de erros nas tentativas de produzir a fala, ou seja, tentativas sucessivas de emitir a mesma palavra podem produzir erros diferentes e, quanto mais extensa a palavra, maior a dificuldade. Alterações prosódicas, como fala mais lenta, alterações de entonação, ritmo e melodia, são secundárias às dificuldades articulatórias da fala.

Devemos suspeitar de AFI na criança com TEA quando: mesmo com intervenções especializadas ela ainda não é verbal ou apresenta sinais como vocabulário pobre e de difícil compreensão; produz movimentos silenciosos dos lábios ou emite sons ininteligíveis; há aumento dos erros na emissão das sílabas ou palavras quanto maior a complexidade delas; atos motores da fala involuntários são mais facilmente emitidos que os voluntários. A avaliação deve ser feita por fonoaudiólogo com experiência em apraxia da fala.

Na associação entre as 2 condições, o tratamento consiste em intervenções para o TEA associado à terapia fonoaudiológica que contemple a apraxia (como PROMPT), com envolvimento de pais, cuidadores, educadores, que deverão generalizar em casa e na escola os aprendizados. A criança deve ser encorajada a encontrar maneiras alternativas de se comunicar (como PEC’s), assim, fica mais motivada para o treino de produção da fala. Compreender e ser compreendido é um reforçador natural.

Dra. Deborah Kerches

Dra. Deborah Kerches
Neuropediatria e Saúde Mental Infantojuvenil
Especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Últimas publicações

Lateralidade – Canhotismo

Lateralidade – Canhotismo

Em torno de 10-12% das pessoas são canhotas, o que está relacionado com a lateralidade e é uma habilidade inata. A determinação da lateralidade parece ter influência genética. Pais destros tem a chance de ter um filho canhoto em torno de 10%; se um dos pais é...

ler mais
Enriquecimento do ambiente

Enriquecimento do ambiente

Enriquecimento do ambiente consiste em oferecer para seus filhos um ambiente rico em experiências e estímulos sensoriais, motores, cognitivos, afetivos e relacionais com o objetivo de potencializar o desenvolvimento em todas as áreas. A ideia é que pais e...

ler mais
Contação de histórias e Desenvolvimento Infantil

Contação de histórias e Desenvolvimento Infantil

Contar histórias além de proporcionar momentos prazerosos em família permite que a criança trabalhe suas emoções e afetos, a linguagem (por exemplo, recontando trechos da história, “adivinhando” o que vai acontecer a seguir, aumentando seu repertório de...

ler mais
Janelas de Oportunidades

Janelas de Oportunidades

Os primeiros anos de vida são períodos sensíveis para a aprendizagem de habilidades, desenvolvimento de aptidões e competências de modo mais facilitado, configurando as chamadas janelas de oportunidades. Janelas de oportunidade são períodos em que o aprendizado de...

ler mais
PECS – Sistema de Comunicação por Troca de Figuras

PECS – Sistema de Comunicação por Troca de Figuras

Podemos nos comunicar de diversas maneiras e isso permite nos relacionarmos com as pessoas e o mundo ao nosso redor. No Transtorno do Espectro Autista (TEA), há comprometimento em maior ou menor grau na linguagem receptiva, expressiva e na comunicação social. Não...

ler mais