Blog

Autismo X Bullying

20/01/2020

Crianças e adolescentes com TEA podem ser alvo de bullying mais frequentemente devido às suas particularidades. Dificuldades de socialização; interesses mais restritos; dificuldades em iniciar ou manter uma conversa que não seja do interesse, em entender pistas sociais, piadas, metáforas; o fato de serem ingênuos e sinceros “demais”, de apresentarem estereotipias e dificuldades em regular as emoções, por exemplo, são fatores que os tornam mais vulneráveis.

O bullying prevê atos intencionais de violência física ou psicológica, praticados contra um indivíduo ou um grupo, gerando uma relação desigual. Ocorre especialmente no ambiente escolar e pode gerar prejuízos significativos na vida de crianças e adolescentes que se tornam vítimas, sendo eles autistas ou neurotípicos.
No caso das pessoas com TEA, porém, o bullying merece um olhar ainda mais atento por parte da escola e dos responsáveis, levando em conta que pessoas com autismo normalmente têm dificuldade para se expressarem e dificilmente relatarão o que está acontecendo e/ou como estão se sentindo.

As consequências são crises mais intensas e frequentes, recusa em frequentar ambientes com demanda social, queda do aproveitamento nas terapias e na escola, distúrbios de sono e alimentares, medo excessivo, agravamento das estereotipias, comorbidades como ansiedade, depressão, pensamentos suicidas, entre outros. O impacto na autoestima, socialização, aprendizado, saúde mental, autonomia e qualidade de vida da criança ou adolescente com TEA e de suas famílias pode ser devastador. Nem sempre é fácil identificar que uma criança/adolescente com autismo está sendo alvo do bullying. Pais, educadores e profissionais da saúde devem estar muito atentos a possíveis mudanças no comportamento da criança ou adolescente. Além do acompanhamento psicológico junto à vítima do bullying, é preciso pensar em medidas de combate/prevenção a esses atos. A sociedade e, em especial, as escolas (ambiente mais frequentemente associado com bullying) devem estar dispostas a atuar na prevenção, tratando de assuntos relacionados ao respeito às diferenças, à empatia e ao acolhimento.

Dra. Deborah Kerches

Dra. Deborah Kerches
Neuropediatria e Saúde Mental Infantojuvenil
Especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Últimas publicações

Cuidado com promessas milagrosas

Cuidado com promessas milagrosas

Esta semana recebi vários questionamentos a respeito do MMS (Miracle Mineral Solution) e achei importante compartilhar com vocês algumas considerações. Talvez vocês estejam acompanhando algo sobre a polêmica em torno do uso deste produto que “promete” ser a “cura do...

ler mais
Epilepsia e Autismo

Epilepsia e Autismo

Hoje, no Purple Day, eu não poderia deixar de falar também sobre epilepsia no autismo, visto que até 1/3 das pessoas com TEA também apresentam epilepsia. O maior número de casos fica entre as crianças menores de 5 anos e os adolescentes. Embora essa ligação entre TEA...

ler mais
TDAH – Orientações aos pais

TDAH – Orientações aos pais

- Procurem o máximo possível de informações sobre o TDAH e possíveis comorbidades, antes de iniciar o tratamento. - Tenham tempo para seus filhos!!! - Elogiem sempre!!! A criança precisa saber que seus esforços em vencer desafios estão sendo reconhecidos. - Lembrem-se...

ler mais
TDAH é comum na infância?

TDAH é comum na infância?

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é o transtorno comportamental, neurobiológico mais comum na infância e adolescência, afetando em torno de 5-8% delas. Inicia-se na infância e pode persistir até a fase adulta, em mais da metade dos casos. Os...

ler mais
Cefaleia na infância e adolescência

Cefaleia na infância e adolescência

A cefaléia (dor de cabeça) é uma das queixas mais comuns da infância e adolescência. Elas deixam de brincar, querem ficar em um quarto escuro, deitadas, parecem indispostas, cansadas e podem apresentar náuseas e vômitos. O impacto das cefaleias crônicas, como a...

ler mais