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Burnout e Transtorno do Espectro Autista

16/03/2021

Burnout é o termo usado para uma exaustão de longo prazo associada a consequente desinteresse pelo trabalho e/ou afazeres, sendo esse um quadro comum entre pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) devido às próprias particularidades da condição.

O esgotamento intenso mental, físico e/ou sensorial é experimentado por muitos, inclusive por crianças pequenas. A dificuldade em interagir socialmente está entre as principais características do TEA e, assim, o esforço que desempenham para as interações costuma ser muito maior. Ajustar comportamentos às mais diversas situações exige um bom repertório de habilidades sociais e capacidade de fazer “leitura” do ambiente, pessoas, do que não foi dito.

Rigidez cognitiva que impacta em dificuldade em lidar com situações novas, quebras de rotina, ter que flexibilizar emoções/ações e lidar com frustrações são fatores que também contribuem para esse quadro no TEA.

A exaustão pode vir também do excesso de estímulos sensoriais que o cérebro recebe e não consegue “filtrar”. E quando há sobrecarga sensorial, os estímulos que chegam passam a “incomodar” ainda mais. Diariamente nosso cérebro recebe inúmeros estímulos, inclusive aqueles do universo digital, o que pode intensificar as respostas sensoriais. Além disso, este cérebro hiperexcitado funciona de modo a não “desligar de uma atividade” para, então, iniciar outra, o que pode fazer com que se desorganizem.
Interesses restritos e hiperfoco podem fazer com que gastem muito mais energia para se dedicar a tarefas, podendo levar à fadiga, por vezes, até sem “perceberem”. Todos esses desafios diários associados, a longo prazo, podem levar a um quadro de Burnout.

Cada pessoa com TEA tem suas próprias habilidades e dificuldades, seus próprios repertórios de comunicação e seus limites. Dessa forma, desde muito cedo, o plano de tratamento deve conter estratégias e fornecer ferramentas para que possam lidar com tudo da melhor maneira. Cabe às pessoas da convivência estarem atentas aos sinais de sofrimento, acolherem e procurarem ajuda especializada.

Dra. Deborah Kerches

Dra. Deborah Kerches
Neuropediatria e Saúde Mental Infantojuvenil
Especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

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