Blog

Comunicação suplementar e/ou alternativa (CSA) no autismo

12/11/2019

A  linguagem não envolve somente o desenvolvimento da fala. Podemos nos comunicar de diversas maneiras e a comunicação é a forma de nos relacionarmos com as pessoas e o mundo ao nosso redor.
Pessoas com autismo apresentam comprometimento em maior ou menor grau na linguagem receptiva e expressiva. Não se fazer entender, ter dificuldade em solicitar, expressar o que sente e deseja pode causar desconforto, ansiedade, baixa auto-estima, muitas vezes culminando em um comportamento inapropriado.
.
A comunicação suplementar e/ou alternativa (CSA) visa oferecer formas alternativas de comunicação não só para pessoas com autismo mas também com outras condições que comprometam o desenvolvimento da oralidade; objetivando possibilitar expressar suas emoções, preferências, desejos; possibilitando aprendizados mais efetivos e autonomia, além de favorecer a socialização.

A CSA não impede o desenvolvimento da fala, como muitos pensam; durante o uso da CSA, crianças, adolescentes e jovens com autismo têm também oportunidades de desenvolver a oralidade.

Os sistemas de CSA utilizam-se de vários recursos para auxiliar nos desafios da comunicação e da oralidade como: sistemas com fotografias, desenhos ou figuras, símbolos gráficos (que ajudam a expressar suas preferências quando aponta uma imagem e/ou coloca em ordem uma série de imagens, a entender regras e horários, por exemplo); sistemas gestuais; uso de ortografia; sistemas combinados; tecnologia assistida (como aplicativos para tablets e celulares, softwares para computadores, ferramentas computadorizadas de voz que podem substituir ou complementar as impressas).

O uso da CSA exige indicação criteriosa e um trabalho de adequação para que as estratégias escolhidas realmente atendam às necessidades de cada um. O respeito e atenção às individualidades fazem o uso deste recurso uma ferramenta de comunicação muito eficaz.

Dra. Deborah Kerches

Dra. Deborah Kerches
Neuropediatria e Saúde Mental Infantojuvenil
Especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Últimas publicações

Burnout e TEA: qual a relação?

Burnout e TEA: qual a relação?

Burnout é caracterizado por um estado de esgotamento caracterizado pela exaustão física e/ou mental de longo prazo relacionada ao trabalho. Embora Burnout seja, por definição, um termo referente ao cansaço extremo relacionado ao trabalho, tem sido muito utilizado no...

ler mais
Por que temos cada vez mais diagnósticos de TEA?

Por que temos cada vez mais diagnósticos de TEA?

Embora hoje num cenário de maior conscientização, ainda há muito preconceito quando o assunto é autismo... Nem sempre por falta de sensibilidade, mas, acredito, muito mais por falta de informação. Isso pode levar pessoas a dizerem erroneamente frases como, por...

ler mais
Shutdown no TEA: o que significa?

Shutdown no TEA: o que significa?

Shutdown é um termo por vezes utilizado para nomear um comportamento reacional a uma sobrecarga emocional e sensorial, a situações estressantes e/ou de ansiedade extrema. Caracteriza-se especialmente por respostas encobertas, ou seja, o indivíduo pouco se comporta de...

ler mais
Meltdown no TEA: o que significa?

Meltdown no TEA: o que significa?

Meltdown é chamado popularmente de “crise”. Trata-se de um episódio em que há perda temporária do controle emocional e dos impulsos de um indivíduo em reação a uma situação estressante, a uma frustração, a sobrecarga sensorial, a algo que leve a um “limite...

ler mais
Camuflagem social e impactos no TEA feminino

Camuflagem social e impactos no TEA feminino

Um fenômeno importante a ser abordado no contexto do espectro autista feminino é a camuflagem social. Camuflagem social é um termo que se refere a um conjunto de estratégias desenvolvidas pelo próprio indivíduo com TEA a fim de “camuflar”/“mascarar” comportamentos...

ler mais
Síndrome de Down (trissomia do 21) e TEA, qual a relação?

Síndrome de Down (trissomia do 21) e TEA, qual a relação?

Cerca de 18 a 39% dos indivíduos com Síndrome de Down (SD) apresentam como condição associada o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Diagnosticar essa associação o mais precocemente possível é importante justamente para poder propiciar melhores oportunidades para que...

ler mais
A linguagem e desafios no diagnóstico de TEA feminino

A linguagem e desafios no diagnóstico de TEA feminino

O cérebro feminino apresenta maior densidade de neurônios em áreas relacionadas à linguagem. Isso afeta a apresentação sintomatológica do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em meninas/mulheres e prevê, entre outros pontos, menores dificuldades para relações sociais,...

ler mais