Blog

Epilepsia e desafios em meio à pandemia

26/03/2021

Levando em conta o cenário atual e aproveitando o Purple Day que tem o intuito de aumentar a conscientização sobre a epilepsia, destaco algumas considerações em relação à epilepsia e Covid-19:

– Não existem evidências de que pessoas com epilepsia (sem outras condições associadas) estejam mais suscetíveis a contrair a Covid-19;

– O risco é maior no caso de pessoas epiléticas idosas e/ou com algum comprometimento no sistema imune;

– Pacientes com epilepsia em geral não são considerados imunodeficientes; alguns, porém, podem ter doenças associadas que alteram o sistema imune ou ainda, fazer uso de medicamentos que provoquem algum grau de imunossupressão;

– A epilepsia, por si só, não afeta a evolução da doença. Porém, algumas comorbidades relacionadas a problemas de motricidade, deglutição ou deficiência intelectual podem aumentar o risco de dificuldades respiratórias, entre outros;

– O tratamento antiepilético não aumenta o risco de infeção, por isso, é recomendado manter a medicação habitual mesmo que o paciente esteja infectado pela Covid-19. Mas, cada caso deve ser avaliado com suas particularidades;

– Não há evidências de que a Covid-19, por si só, provoque crises epiléticas. Porém, qualquer infeção, febre (especialmente nas crianças), privação de sono, situações de estresse, falha na administração dos medicamentos, entre outras intercorrências, pode aumentar o risco de crises epiléticas em algumas pessoas.

Vale destacar, por fim, que o isolamento social não deve ser motivo para que o paciente com epilepsia interrompa seu tratamento. E, por mais que a pandemia preveja cuidados na hora de uma pessoa procurar hospitais, existem situações em que o atendimento emergencial não deve ser ignorado, por ex., diante de: crises epilépticas que durem mais de 5 minutos; crises repetidas/reentrantes; em que o paciente demore a retomar a consciência;que fique com algum déficit, entre outros.

Por tudo isso, a conscientização sobre a epilepsia é, mais do que nunca, crucial, tanto para o paciente como para as pessoas que convivem com ele!

Fonte: https://www.ilae.org/patient-care/covid-19-and-epilepsy/for-patients/faqs-in-portuguese

Dra. Deborah Kerches

Dra. Deborah Kerches
Neuropediatria e Saúde Mental Infantojuvenil
Especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Últimas publicações

Cuidado com promessas milagrosas

Cuidado com promessas milagrosas

Esta semana recebi vários questionamentos a respeito do MMS (Miracle Mineral Solution) e achei importante compartilhar com vocês algumas considerações. Talvez vocês estejam acompanhando algo sobre a polêmica em torno do uso deste produto que “promete” ser a “cura do...

ler mais
Epilepsia e Autismo

Epilepsia e Autismo

Hoje, no Purple Day, eu não poderia deixar de falar também sobre epilepsia no autismo, visto que até 1/3 das pessoas com TEA também apresentam epilepsia. O maior número de casos fica entre as crianças menores de 5 anos e os adolescentes. Embora essa ligação entre TEA...

ler mais
TDAH – Orientações aos pais

TDAH – Orientações aos pais

- Procurem o máximo possível de informações sobre o TDAH e possíveis comorbidades, antes de iniciar o tratamento. - Tenham tempo para seus filhos!!! - Elogiem sempre!!! A criança precisa saber que seus esforços em vencer desafios estão sendo reconhecidos. - Lembrem-se...

ler mais
TDAH é comum na infância?

TDAH é comum na infância?

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é o transtorno comportamental, neurobiológico mais comum na infância e adolescência, afetando em torno de 5-8% delas. Inicia-se na infância e pode persistir até a fase adulta, em mais da metade dos casos. Os...

ler mais
Cefaleia na infância e adolescência

Cefaleia na infância e adolescência

A cefaléia (dor de cabeça) é uma das queixas mais comuns da infância e adolescência. Elas deixam de brincar, querem ficar em um quarto escuro, deitadas, parecem indispostas, cansadas e podem apresentar náuseas e vômitos. O impacto das cefaleias crônicas, como a...

ler mais