Blog

Hiperlexia e Autismo

05/08/2019

A hiperlexia é definida especialmente pela capacidade de leitura precoce de uma criança, geralmente associada a fascínio por letras e números. Algumas, começam a identificar letras e números por volta dos 18 meses a 2 anos e entre 2-3 anos começam a ler palavras de forma espontânea. Essas características naturalmente surpreendem pais e educadores, mas merecem um olhar atento pois podem, em alguns casos, estar mascarando dificuldades no desenvolvimento da criança.

A hiperlexia pode coexistir com o autismo. Nesses casos, a criança pode apresentar habilidade de leitura precoce, mas com prejuízos na compreensão da linguagem e nas interações sociais. Ela pode, por exemplo, ler um livro inteiro mas não compreender o que leu; não saber responder a questões simples como “qual o seu nome”; ter dificuldades na pega do lápis ou giz de cera para escrever (o que pode ser explicado pela dificuldade com a coordenação motora fina que a escrita exige).

Como a capacidade de leitura precoce se sobressai, tais dificuldades podem passar despercebidas, nestes casos, uma intervenção multidisciplinar pode se fazer necessária, com um trabalho voltado ao desenvolvimento da linguagem e da comunicação social dessa criança.

Como a criança com TEA e hiperlexia costuma ser um bom aprendiz visual, estímulos visuais e a própria leitura podem ajudar muito no desenvolvimento.

A hiperlexia nem sempre está associada ao autismo. Há crianças bem pequenas que aprendem a ler precocemente e não têm nenhuma alteração em outra área do desenvolvimento. Tal característica pode estar associada, por exemplo, a altas habilidades/superdotação.

A habilidade de leitura precoce costuma ser observada por educadores e/ou pais, que não devem hesitar em procurar um especialista, a fim de avaliar se esta habilidade está ou não associada à outra condição do neurodesenvolvimento. Após avaliação, a criança receberá o estímulo mais adequado às suas necessidades.

Dra. Deborah Kerches

Dra. Deborah Kerches
Neuropediatria e Saúde Mental Infantojuvenil
Especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Últimas publicações

Cuidado com promessas milagrosas

Cuidado com promessas milagrosas

Esta semana recebi vários questionamentos a respeito do MMS (Miracle Mineral Solution) e achei importante compartilhar com vocês algumas considerações. Talvez vocês estejam acompanhando algo sobre a polêmica em torno do uso deste produto que “promete” ser a “cura do...

ler mais
Epilepsia e Autismo

Epilepsia e Autismo

Hoje, no Purple Day, eu não poderia deixar de falar também sobre epilepsia no autismo, visto que até 1/3 das pessoas com TEA também apresentam epilepsia. O maior número de casos fica entre as crianças menores de 5 anos e os adolescentes. Embora essa ligação entre TEA...

ler mais
TDAH – Orientações aos pais

TDAH – Orientações aos pais

- Procurem o máximo possível de informações sobre o TDAH e possíveis comorbidades, antes de iniciar o tratamento. - Tenham tempo para seus filhos!!! - Elogiem sempre!!! A criança precisa saber que seus esforços em vencer desafios estão sendo reconhecidos. - Lembrem-se...

ler mais
TDAH é comum na infância?

TDAH é comum na infância?

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é o transtorno comportamental, neurobiológico mais comum na infância e adolescência, afetando em torno de 5-8% delas. Inicia-se na infância e pode persistir até a fase adulta, em mais da metade dos casos. Os...

ler mais
Cefaleia na infância e adolescência

Cefaleia na infância e adolescência

A cefaléia (dor de cabeça) é uma das queixas mais comuns da infância e adolescência. Elas deixam de brincar, querem ficar em um quarto escuro, deitadas, parecem indispostas, cansadas e podem apresentar náuseas e vômitos. O impacto das cefaleias crônicas, como a...

ler mais