Blog

Inteligência emocional e Transtorno do Espectro Autista

08/02/2021

Ao contrário do que alguns pensam, as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm sentimentos, desejam expressar tais sentimentos, se relacionar, mas, muitas vezes, podem não saber como. Essa, porém, não é uma regra: na prática clínica, observa-se que MUITOS autistas, apesar das suas particularidades, são extremamente amorosos; podem até não conseguir nomear, mas conseguem demonstrar seus sentimentos de maneiras que nos surpreendem e encantam diariamente!

Alguns têm, sim, grandes dificuldades em identificar, gerenciar e expressar suas emoções, mas isso não significa, de forma alguma, que não sintam. No TEA, a forma de comunicar tais sentimentos é que costuma ser diferente devido às próprias particularidades da condição, que podem incluir déficits na comunicação, no intercâmbio comunicativo, no contato visual, na imitação, na habilidade da “Teoria da Mente”, no repertório de habilidades sociais necessários para ajustar seus comportamentos aos mais diversos contextos, além de rigidez cognitiva, interesses restritos, entre outros.
Esses e outros fatores fazem com que detectar e entender as suas próprias emoções e as do outro seja algo mais complexo para a pessoa com TEA, porém, de suma importância para o seu desenvolvimento, já que é fator determinante para que essa pessoa regule sua forma de agir, reaja perante os acontecimentos, tome decisões e se comunique de maneira não verbal.

Frente aos desafios que a própria condição impõe, torna-se essencial trabalhar a inteligência emocional junto à criança com TEA.

Inteligência emocional é, resumidamente, a capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, podendo, assim, gerir bem nossas emoções, relacionamentos e ajustar nossos comportamentos. Especialmente no contexto do TEA, possibilita maior autoconsciência, melhor percepção a respeito do outro e mais efetividade e tranquilidade nas relações interpessoais.

Dra. Deborah Kerches

Dra. Deborah Kerches
Neuropediatria e Saúde Mental Infantojuvenil
Especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Últimas publicações

Cuidado com promessas milagrosas

Cuidado com promessas milagrosas

Esta semana recebi vários questionamentos a respeito do MMS (Miracle Mineral Solution) e achei importante compartilhar com vocês algumas considerações. Talvez vocês estejam acompanhando algo sobre a polêmica em torno do uso deste produto que “promete” ser a “cura do...

ler mais
Epilepsia e Autismo

Epilepsia e Autismo

Hoje, no Purple Day, eu não poderia deixar de falar também sobre epilepsia no autismo, visto que até 1/3 das pessoas com TEA também apresentam epilepsia. O maior número de casos fica entre as crianças menores de 5 anos e os adolescentes. Embora essa ligação entre TEA...

ler mais
TDAH – Orientações aos pais

TDAH – Orientações aos pais

- Procurem o máximo possível de informações sobre o TDAH e possíveis comorbidades, antes de iniciar o tratamento. - Tenham tempo para seus filhos!!! - Elogiem sempre!!! A criança precisa saber que seus esforços em vencer desafios estão sendo reconhecidos. - Lembrem-se...

ler mais
TDAH é comum na infância?

TDAH é comum na infância?

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é o transtorno comportamental, neurobiológico mais comum na infância e adolescência, afetando em torno de 5-8% delas. Inicia-se na infância e pode persistir até a fase adulta, em mais da metade dos casos. Os...

ler mais
Cefaleia na infância e adolescência

Cefaleia na infância e adolescência

A cefaléia (dor de cabeça) é uma das queixas mais comuns da infância e adolescência. Elas deixam de brincar, querem ficar em um quarto escuro, deitadas, parecem indispostas, cansadas e podem apresentar náuseas e vômitos. O impacto das cefaleias crônicas, como a...

ler mais