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Masking é prejudicial no TEA?

13/12/2021

A camuflagem social ou masking envolve um conjunto de estratégias que visam “camuflar”, “mascarar” comportamentos característicos do TEA a fim de se adaptar e atender às expectativas dos mais diversos contextos sociais.

A camuflagem social também é uma estratégia utilizada por neurotípicos em algumas situações.
Todos nós nos comportamos de maneiras diferentes em situações sociais diferentes… Queremos ser “aceitos” por nossos pares, pertencer a grupos sociais, nos relacionarmos na escola, no trabalho e nas mais diversas situações. Nos adaptamos a regras e convenções sociais e refinamos nosso repertório de habilidades sociais ao longo de toda a vida.

🧩Para uma pessoa no espectro autista, porém, copiar comportamentos; usar de estratégias como gestos e expressões; alterar e monitorar entonação de voz, modo de se vestir e apresentar; “forçar” um contato visual mais prolongado; criar roteiros de interação e assuntos que não são do interesse; entre outras estratégias, exige grande esforço e pode ser muito desgastante.
A camuflagem no autismo significa se apresentar diferente de quem você é…

Meninas e mulheres costumam fazer melhor rastreio do ambiente e usar estratégias de camuflagem. Essa prática, porém, pode contribuir para diagnósticos equivocados e mais tardios de TEA.

➡️ENTÃO… A CAMUFLAGEM É PREJUDICIAL PARA A PESSOA COM TEA?

Na verdade tudo é equilíbrio…
A camuflagem pode ser sim uma ferramenta útil para a adaptação social, porém, quando é necessário muitos esforços, costuma impactar em quadros de estresse, ansiedade, depressão, fadiga e fobia social.

O “cenário ideal” seria o de uma sociedade verdadeiramente inclusiva em que as pessoas pudessem se comportar com suas particularidades sem serem julgadas.

Dra. Deborah Kerches

Dra. Deborah Kerches
Neuropediatria e Saúde Mental Infantojuvenil
Especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

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