Blog

Pareamento e Transtorno do Espectro Autista

24/02/2021

O pareamento ou emparelhamento é uma forma de ensinar o reconhecimento visual dos estímulos do mundo. É habilidade fundamental para todas as crianças, já que trabalha questões visuais, perceptivas e cognitivas.
Quando pensamos em particularidades do Transtorno do Espectro Autista (TEA), fica mais evidente sua importância (por utilizar pistas visuais) em todo processo de aprendizagem, e para ampliar/ fortalecer interações. Não por acaso o pareamento costuma ser uma das primeiras estratégias para se obter o engajamento da criança nas terapias e/ou consultas.

Parear é o ato de combinar e/ou juntar em par, fazer associação. É estimulado através de brincadeiras, menos ou mais complexas, que poderão ser utilizadas em diferentes fases do desenvolvimento, respeitando o nível de compreensão e capacidade da criança.

Parear elementos idênticos (ex. figuras iguais de laranja) estimula o reconhecimento visual de estímulos; já o pareamento de não-idênticos inicia o ensino de categorização (entender que as coisas pertencem a classes, ex. gatos de raças diferentes).

A recomendação é começar com associações simples e ir aumentando a demanda (ex: figura/figura, número/número, objeto real/ figura, figura/palavra, figura/sombra). Mais adiante podem ser trabalhados pareamento de estímulos relacionados para aprender a associar (ex: calça/camisa, sapato/meia, garfo/faca), e ir propondo desafios com comandos mais refinados (ex. separar as fotos de todos os animais da floresta), entre inúmeras possibilidades.

O pareamento é habilidade fundamental também para a alfabetização e demais conceitos acadêmicos. Se a criança não percebe a diferença ou semelhança entre palavras, poderá ter dificuldade na leitura correta e interpretação (ex. bolo/bola). Estimula ainda a concentração e atenção; a coordenação motora fina; amplia o vocabulário; trabalha a habilidade de construir sequência; estimula o raciocínio lógico, além de gerar momentos prazerosos e fortalecer vínculos.

No TEA, em especial, é essencial que as atividades de pareamento gerem motivação e que esforços e acertos sejam sempre elogiados.24

Dra. Deborah Kerches

Dra. Deborah Kerches
Neuropediatria e Saúde Mental Infantojuvenil
Especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Últimas publicações

Burnout e TEA: qual a relação?

Burnout e TEA: qual a relação?

Burnout é caracterizado por um estado de esgotamento caracterizado pela exaustão física e/ou mental de longo prazo relacionada ao trabalho. Embora Burnout seja, por definição, um termo referente ao cansaço extremo relacionado ao trabalho, tem sido muito utilizado no...

ler mais
Por que temos cada vez mais diagnósticos de TEA?

Por que temos cada vez mais diagnósticos de TEA?

Embora hoje num cenário de maior conscientização, ainda há muito preconceito quando o assunto é autismo... Nem sempre por falta de sensibilidade, mas, acredito, muito mais por falta de informação. Isso pode levar pessoas a dizerem erroneamente frases como, por...

ler mais
Shutdown no TEA: o que significa?

Shutdown no TEA: o que significa?

Shutdown é um termo por vezes utilizado para nomear um comportamento reacional a uma sobrecarga emocional e sensorial, a situações estressantes e/ou de ansiedade extrema. Caracteriza-se especialmente por respostas encobertas, ou seja, o indivíduo pouco se comporta de...

ler mais
Meltdown no TEA: o que significa?

Meltdown no TEA: o que significa?

Meltdown é chamado popularmente de “crise”. Trata-se de um episódio em que há perda temporária do controle emocional e dos impulsos de um indivíduo em reação a uma situação estressante, a uma frustração, a sobrecarga sensorial, a algo que leve a um “limite...

ler mais
Camuflagem social e impactos no TEA feminino

Camuflagem social e impactos no TEA feminino

Um fenômeno importante a ser abordado no contexto do espectro autista feminino é a camuflagem social. Camuflagem social é um termo que se refere a um conjunto de estratégias desenvolvidas pelo próprio indivíduo com TEA a fim de “camuflar”/“mascarar” comportamentos...

ler mais
Síndrome de Down (trissomia do 21) e TEA, qual a relação?

Síndrome de Down (trissomia do 21) e TEA, qual a relação?

Cerca de 18 a 39% dos indivíduos com Síndrome de Down (SD) apresentam como condição associada o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Diagnosticar essa associação o mais precocemente possível é importante justamente para poder propiciar melhores oportunidades para que...

ler mais
A linguagem e desafios no diagnóstico de TEA feminino

A linguagem e desafios no diagnóstico de TEA feminino

O cérebro feminino apresenta maior densidade de neurônios em áreas relacionadas à linguagem. Isso afeta a apresentação sintomatológica do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em meninas/mulheres e prevê, entre outros pontos, menores dificuldades para relações sociais,...

ler mais