Blog

Por que temos cada vez mais diagnósticos de TEA?

02/04/2023

Embora hoje num cenário de maior conscientização, ainda há muito preconceito quando o assunto é autismo… Nem sempre por falta de sensibilidade, mas, acredito, muito mais por falta de informação.

Isso pode levar pessoas a dizerem erroneamente frases como, por exemplo, “agora autismo está na moda”, “todo mundo é um pouco autista”, entre outras.

Ao longo dos últimos anos tem sido observado um aumento significativo no número de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Uma a cada 36 crianças de até 8 anos está no espectro autista, de acordo com os dados mais recentes do CDC (Centro de Controle de Prevenção e Doenças), do governo dos EUA. Trazendo essa estimativa para o nosso país, teríamos cerca de 5,95 milhões de autistas no Brasil.

Temos hoje, inclusive, um número maior de pessoas se descobrindo autistas somente na vida adulta.

Tudo isso é reflexo, entre outros pontos, da melhora dos critérios diagnósticos do TEA com a 5ª revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), além da maior conscientização a respeito das características do espectro autista entre a sociedade como um todo, e de profissionais mais capacitados para seu reconhecimento.

Ou seja, a ciência avançou, temos cada vez mais conhecimento e dados acerca do TEA, mais profissionais e pessoas envolvidas nessa causa; a sociedade tem mais espaço para se informar… E tudo isso nos coloca num ambiente mais favorável para o reconhecimento de sinais do TEA e/ou de que algo no desenvolvimento do bebê/da criança não está ocorrendo como o esperado mais precocemente. E nos permite, assim, também intervir precocemente, independentemente do diagnóstico fechado, aproveitando a rica neuroplasticidade que ocorre na infância.

Não, autismo não é moda. Talvez não tenhamos mais pessoas com TEA, mas temos mais pessoas diagnosticadas corretamente com TEA!

Sim, o TEA, a neurodiversidsde, sempre existiram, e que bom é termos cada vez mais informações e ferramentas para reconhecermos essas condições. Embora, é claro, ainda estejamos longe do cenário ideal.

Um diagnóstico não é uma sentença, é um ponto de partida para uma caminhada que será peculiar, mas que tem potencial para ser bem amparada, orientada numa sociedade que compreende e acolhe o espectro autista!

Temos hoje muitas pessoas diagnosticadas, mas temos também muitas outras ainda sem diagnóstico, enfrentando os desafios que essa condição impõe sem suporte, sem reconhecimento, com suas qualidades de vida inevitavelmente afetadas.

No dia de hoje, no mês de abril, no ano inteiro… Vamos falar mais e mais sobre TEA! Esse é o caminho!

Dra. Deborah Kerches

Dra. Deborah Kerches
Neuropediatria e Saúde Mental Infantojuvenil
Especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Últimas publicações

Cuidado com promessas milagrosas

Cuidado com promessas milagrosas

Esta semana recebi vários questionamentos a respeito do MMS (Miracle Mineral Solution) e achei importante compartilhar com vocês algumas considerações. Talvez vocês estejam acompanhando algo sobre a polêmica em torno do uso deste produto que “promete” ser a “cura do...

ler mais
Epilepsia e Autismo

Epilepsia e Autismo

Hoje, no Purple Day, eu não poderia deixar de falar também sobre epilepsia no autismo, visto que até 1/3 das pessoas com TEA também apresentam epilepsia. O maior número de casos fica entre as crianças menores de 5 anos e os adolescentes. Embora essa ligação entre TEA...

ler mais
TDAH – Orientações aos pais

TDAH – Orientações aos pais

- Procurem o máximo possível de informações sobre o TDAH e possíveis comorbidades, antes de iniciar o tratamento. - Tenham tempo para seus filhos!!! - Elogiem sempre!!! A criança precisa saber que seus esforços em vencer desafios estão sendo reconhecidos. - Lembrem-se...

ler mais
TDAH é comum na infância?

TDAH é comum na infância?

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é o transtorno comportamental, neurobiológico mais comum na infância e adolescência, afetando em torno de 5-8% delas. Inicia-se na infância e pode persistir até a fase adulta, em mais da metade dos casos. Os...

ler mais
Cefaleia na infância e adolescência

Cefaleia na infância e adolescência

A cefaléia (dor de cabeça) é uma das queixas mais comuns da infância e adolescência. Elas deixam de brincar, querem ficar em um quarto escuro, deitadas, parecem indispostas, cansadas e podem apresentar náuseas e vômitos. O impacto das cefaleias crônicas, como a...

ler mais