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TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) na infância e adolescência

13/01/2020

O TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) pode iniciar já na infância e adolescência e a prevalência parece ser similar em adultos. Mais de 1/3 dos adultos com TOC tiveram seus sintomas iniciais na infância. É mais comum em pessoas ansiosas; inflexíveis; com tendência ao perfeccionismo e preocupações, por ex. com regras, moral, organização, horários. Caracteriza-se por obsessão (pensamentos, ideias) e compulsão (ações repetitivas).

13Estes pensamentos persistentes geram angústia e ansiedade e as ações compulsivas seriam uma tentativa de controlá-los. Os sintomas tendem a mudar ao longo da vida. Assim como adultos, crianças e adolescentes tendem a ocultar os sintomas. Nem sempre manias e rituais em crianças são valorizados por pais e professores, mas quando ocorrem em grande intensidade e persistem de modo a causar prejuízos na rotina da criança, merecem atenção.

Cabe aos pais e demais adultos da convivência estarem atentos à rotina e comportamento da criança/adolescente. Sintomas mais frequentes: rituais de higiene repetitivos e exagerados; repetições de ações; checagens e contagens compulsivas, deixar tudo simétrico; entre outros. O TOC costuma causar grande sofrimento psíquico para eles; a criança pode achar que se não cumprir determinada tarefa, algo de muito ruim pode acontecer; passam a ter ideias de autopunição pois acham que tudo de errado que acontece é consequência de algo que deixou de fazer. O TOC pode expor a criança/adolescente ao bullying e predispor a outros transtornos psiquiátricos. Muitos tendem a se isolar, evitar contato social.

O TOC na infância e adolescência pode afetar a vida emocional, social e comprometer o rendimento escolar à medida que os pensamentos obsessivos, rituais e compulsões os tornam mais desatentos e, naquelas em que há manifestação de perfeccionismo, a criança pode ficar focada em detalhes e não ampliar o repertório de aprendizagem.

O tratamento para o TOC infantil prevê psicoterapia comportamental, medicação quando necessário, suporte familiar e escolar. Quanto mais precoce o diagnóstico e tratamento, melhor o prognóstico e qualidade de vida.

Dra. Deborah Kerches

Dra. Deborah Kerches
Neuropediatria e Saúde Mental Infantojuvenil
Especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

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