Blog

Transtorno do Espectro Autista e Obesidade Infantil

03/06/2020

Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresentam até 50% mais chances de estarem acima do peso ou obesas quando comparadas à população em geral.

No TEA, padrões alimentares seletivos e repetitivos que podem incluir alimentos calóricos, o uso de alimentos como reforçadores, as dificuldades em flexibilizar a aceitação de alimentos mais nutritivos, uso de medicações que podem contribuir para o ganho excessivo de peso, distúrbios de sono, ansiedade que pode levar à compulsão alimentar, sedentarismo, são alguns fatores de risco. Quando há predisposição genética à obesidade, aumenta-se o risco.

É importante que exista um monitoramento a fim de prevenir o ganho de peso em idade precoce, com um olhar integral para a criança, para que sempre sejam levados em consideração quais fatores podem estar contribuindo para o ganho de peso. A infância é, além de uma importante fase de crescimento, o período de maior aquisição de novos aprendizados. É essencial que a família saiba de sua influência sobre os comportamentos alimentares de uma criança e possa incentivar bons hábitos alimentares, estabelecendo uma rotina, além da prática de atividade física, lembrando que a imitação é uma habilidade importante para o aprendizado, dessa forma, pais e toda a família devem ser exemplo destes bons hábitos.

Nas crianças com TEA, pode ser mais desafiador flexibilizar seus hábitos alimentares e desencorajar o sedentarismo, devido à padrões mais rígidos e restritos de comportamento.

Crianças obesas com autismo ou não têm mais chances de serem adultos obesos e desenvolverem doenças crônicas. Os prejuízos podem começar a ser sentidos ainda na infância, e incluem desde problemas de saúde física até psicossociais, como baixa autoestima, maiores dificuldades de socialização, bullying, bem como ansiedade e/ou depressão que podem somar desafios para as crianças e adolescentes com TEA.

Por fim, deixo a dica: que a quarentena seja encarada como oportunidade de estreitar a parceria com a criança nestes hábitos alimentares mais saudáveis da forma mais prazerosa possível.

Dra. Deborah Kerches

Dra. Deborah Kerches
Neuropediatria e Saúde Mental Infantojuvenil
Especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Últimas publicações

Gaming Disorder

Gaming Disorder

A Organização Mundial de Saúde (OMS) atualizou a 11ª edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde -CID-11 (instrumento necessário para se avaliar o estado de bem-estar de uma população ou de um país) em 18 de junho...

ler mais
Há benefícios no uso de telas?

Há benefícios no uso de telas?

Já sabemos que os estímulos off-line, o brincar, as relações, não podem ser substituídos por telas. Da mesma forma, devemos reconhecer que a tecnologia não pode ser vista somente como “vilã”: quando utilizada de forma adequada, associada a outros meios de percepção do...

ler mais
Recomendações para o uso de telas

Recomendações para o uso de telas

Diante dos riscos que a exposição excessiva a telas oferece à saúde mental e física das crianças, temos recomendações claras de como elas devem ou não ser utilizadas. Principais orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP): ✅Evitar a exposição de crianças...

ler mais
Riscos da exposição excessiva ao ambiente digital

Riscos da exposição excessiva ao ambiente digital

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) já tem alertado, há algum tempo, que as experiências adquiridas por meio das telas, se não forem reguladas, poderão impactar significativamente no comportamento e qualidade de vida de crianças e adolescentes, com consequências...

ler mais
O impacto da exposição a telas no desenvolvimento cerebral

O impacto da exposição a telas no desenvolvimento cerebral

Muitos estudos têm avaliado como o aumento do tempo de exposição a telas influencia no cérebro das crianças e o quanto isso afeta a capacidade delas se desenvolverem plenamente. A primeira infância é um período muito sensível e rico para o desenvolvimento sensório...

ler mais
Exposição às telas X Bloqueio da melatonina nas crianças

Exposição às telas X Bloqueio da melatonina nas crianças

A luz azul emitida pela maioria das telas (tablets, celulares, computadores) contribui para prejuízos na secreção (produção e liberação) da melatonina, hormônio que regula o ciclo do sono e da vigília, além de participar da reparação cerebral, atuar na regulação de...

ler mais
Comportamento social e brincar social

Comportamento social e brincar social

O comportamento social e brincar social dizem respeito a engajar-se em comportamentos de conversação e cooperação com os pares e outros de maneira funcional e apropriada para o contexto, incluindo desde interações simples até a participação em brincadeiras simbólicas...

ler mais
O brincar no Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O brincar no Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O brincar ocorre de forma natural para crianças com desenvolvimento típico. Crianças no espectro autista, porém, apresentam déficits em diferentes habilidades que fazem com que o brincar seja algo a ser aprendido. Dessa forma, é necessário ensinar a criança a brincar,...

ler mais
Imitação e atividades de vida diárias

Imitação e atividades de vida diárias

A imitação é uma habilidade inata e é essencial para os nossos inúmeros aprendizados. Desde o nascimento vamos sendo apresentados às mais diversas experiências, as quais possibilitam, por meio da observação dos outros, aprender através da imitação de gestos, sons,...

ler mais