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Recomendações para o uso de telas

21/01/2021

Diante dos riscos que a exposição excessiva a telas oferece à saúde mental e física das crianças, temos recomendações claras de como elas devem ou não ser utilizadas.

Principais orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP):

✅Evitar a exposição de crianças menores de 2 anos às telas (ainda que passivamente) – o que chama a atenção para o hábito cada vez mais comum (porém, inadequado) de oferecer o smartphone como forma de distrair e/ou “acalmar” o bebê.
✅Entre 2 e 5 anos, limitar o tempo de telas ao máximo de 1 hora por dia, sempre com supervisão.
✅De 6 e 10 anos, limitar o tempo de telas ao máximo de 1 ou 2 horas por dia, sempre com supervisão.
✅De 11 e 18 anos, limitar o tempo de telas e jogos de videogames a 2 ou 3 horas por dia, sempre com supervisão, e não permitir que o adolescente “vire a noite” jogando.
✅Para todas as idades: não permitir exposição a telas durante as refeições e nem de 1 a 2 horas antes de dormir.
✅Oferecer alternativas ao uso das telas com supervisão, como esportes, exercícios ao ar livre, contato direto com a natureza.
✅Criar regras saudáveis para o uso de equipamentos e aplicativos digitais, que permitam momentos de “desconexão” e maior convivência familiar, além de estabelecer regras de segurança, senhas e filtros necessários.
✅Monitorar (saber com quem e onde a criança está, o que está jogando etc.) e não permitir encontros com desconhecidos online ou off-line.
✅Atentar-se e denunciar conteúdos/vídeos com teor de violência, abusos, exploração sexual, pornografia ou outras produções inadequadas.

O manual da SBP destaca ainda a importância dos responsáveis estarem atentos à ferramenta de Classificação Indicativa, que permite avaliar quais games, filmes, vídeos e outros conteúdos são – ou não – recomendados de acordo com a idade e a compreensão da criança/do adolescente.

Colocar tais recomendações em prática não é tão simples. Enquanto adultos, estamos expostos a telas em grande parte do nosso dia, e somos exemplos para os pequenos. Isso pede conscientização por parte da família, para que o equilíbrio relacionado ao uso das tecnologias possa se tornar uma realidade.

Dra. Deborah Kerches

Dra. Deborah Kerches
Neuropediatria e Saúde Mental Infantojuvenil
Especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

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