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Risco de obesidade infantil e condições do neurodesenvolvimento

03/06/2021

Algumas condições do neurodesenvolvimento e/ou deficiências, por diversos fatores, acarretam mais riscos de desenvolver obesidade entre crianças.

No Transtorno do Espectro Autista (TEA), por ex., o risco é aumentado devido a particularidades da condição, como: padrões alimentares seletivos e repetitivos (que podem incluir alimentos calóricos, o uso de alimentos como reforçadores, dificuldades na aceitação de alimentos mais nutritivos); uso de medicações que podem contribuir para o ganho de peso; distúrbios de sono; ansiedade; compulsão alimentar; sedentarismo, entre outras.
No Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), há alterações no sistema de recompensa cerebral, o que pode fazer com que crianças e adolescentes com essa condição comam mais exatamente para obterem a recompensa e a motivação que o ambiente não lhes proporciona. Há também maior tendência para se desenvolver ansiedade (que está intimamente relacionada ao ganho de peso) que pode contribuir para uma alimentação mais inadequada.
Na Síndrome de Down, por vez, podem apresentar tendência à hiperfagia (ingestão compulsiva de alimentos), além de metabolismo basal cerca de 10 a 15% mais baixo em relação a outros grupos e menor tônus muscular o que pode dificultar a prática de exercícios físicos em alguns casos.

Vale ressaltar que, em qualquer situação, exposição a um tempo excessivo de telas predispõe a maior risco para obesidade.

Esses são apenas alguns exemplos de como certas condições podem aumentar o risco para desenvolvimento da obesidade – o que pede um olhar atento para que essa possível comorbidade seja tratada com a devida atenção. Crianças obesas têm mais chances de serem adultos obesos e desenvolverem doenças crônicas (diabetes, hipertensão), além de problemas de saúde física até psicossociais, que já podem começar a se manifestar na infância e que em muito prejudicam a qualidade de vida, como baixa autoestima, dificuldades de socialização, bullying, ansiedade e depressão.
Exercícios físicos, dieta equilibrada e uma boa qualidade de sono são fundamentais na prevenção e acompanhamento da obesidade.

Dra. Deborah Kerches

Dra. Deborah Kerches
Neuropediatria e Saúde Mental Infantojuvenil
Especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

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