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Shutdown no TEA: o que significa?

31/03/2023

Shutdown é um termo por vezes utilizado para nomear um comportamento reacional a uma sobrecarga emocional e sensorial, a situações estressantes e/ou de ansiedade extrema.

Caracteriza-se especialmente por respostas encobertas, ou seja, o indivíduo pouco se comporta de forma manifesta e clara, dando a impressão de que esteja desligado/distanciado do momento presente, ficando, por vezes, prostrado em algum ambiente com poucos estímulos.

⬆️ É um tipo de crise comportamental que pode acontecer com qualquer indivíduo, porém, é mais comum entre aqueles que estão no espectro do autismo.

O termo vem da informática e refere-se a um comando capaz de “desligar o sistema”.
No shutdown, a pessoa parece estar parcialmente ou completamente desligada/distanciada do momento, não respondendo a qualquer forma de comunicação, com o “olhar vazio”, respiração atípica (mais rápida ou lenta). Pode retirar-se do espaço (indo para seu quarto, por exemplo), deitar-se no chão; pode ainda perder a capacidade de se retirar da situação “limite” em que se encontra, mostrando-se paralisada, entre outras ações.

Trata-se de um evento reacional que pode acontecer com qualquer indivíduo e em qualquer idade, porém, em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode ocorrer mais facilmente devido a alterações sensoriais, comportamentos mais inflexíveis e dificuldades de comunicação (o que as deixa mais vulneráveis para que se desorganizem).

Shutdown X Birra

Nas crianças com TEA, os shutdowns não devem ser confundidos com birras ou encarados como enfrentamento; tratam-se de comportamentos involuntários reacionais e nunca serão utilizados como “tática para se conseguir algo” ou “não fazer algo que não querem”.

Shutdown X Meltdown

No shutdown, diferentemente do meltdown, as emoções ficam internalizadas. As motivações e o “limite” para o shutdown ou meltdown parecem ser os mesmos, o que muda é a forma de expressão comportamental, porém, ambas mostram que há uma situação de sofrimento que precisa ser olhada com maior cuidado.

Normalmente nos preocupamos mais com comportamentos externalizantes, então fica o alerta para comportamentos internalizados em pessoas com TEA. Eles também necessitam de avaliação para que sejam identificados fatores desencadeantes e possamos intervir a fim de evitar sofrimento e prejuízos no desenvolvimento.

Vale lembrar que o envolvimento dos pais/cuidadores, familiares, amigos, da escola e da equipe multiprofissional é fundamental para o manejo comportamental.

Dra. Deborah Kerches

Dra. Deborah Kerches
Neuropediatria e Saúde Mental Infantojuvenil
Especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

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