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Masking ou Camuflagem Social e Transtorno do Espectro Autista

14/06/2021

O termo Camuflagem (Masking) social refere-se ao uso de estratégias para minimizar a “visibilidade” das características do Transtorno do Espectro Autista (TEA) em situações sociais.

Pode se apresentar de três maneiras:
🧩Compensação que prevê copiar comportamentos e falas, criar um roteiro de uma possível interação social etc.;
🧩Mascaramento que seria a monitoração das próprias expressões corporais e faciais, a fim de não demonstrar que a interação social está exigindo um esforço desgastante;
🧩Assimilação que prevê atuação em determinado contexto social, por meio de estratégias, comportamentos e até mesmo de outras pessoas, para passar a impressão de que a interação social está sendo realizada.

Trata-se de um assunto que merece atenção especialmente na adolescência, fase em que se aumentam as demandas sociais, na fase adulta e entre meninas. Vale destacar que a camuflagem pode ser adotada por meninos ou meninas, mas, o que observamos na prática clínica e em estudos é um predomínio em meninas. Isso porque, elas apresentam um cérebro mais social, com maior capacidade para empatia e habilidades comunicativas, além do fato de serem esperados comportamentos socialmente “diferentes” entre meninas e meninos – o que favorece a camuflagem e, consequentemente, torna mais difícil o diagnóstico de TEA no sexo feminino.

A camuflagem social contempla tanto o uso de técnicas conscientes como inconscientes e, de toda maneira, exige um esforço cognitivo considerável – para “mascarar”, assimilar ou compensar esses comportamentos do espectro autista –, impactando com frequência em sofrimento psíquico. Não são raros os casos de adolescentes que se apresentam com quadros de ansiedade, depressão e/ou estresse, por exemplo, e, quando se submetem a uma avaliação especializada, recebem o diagnóstico de TEA já com comorbidades.

Ter conhecimento sobre esse conceito é importante para lançarmos um olhar integral aos nossos adolescentes – inclusive também aos que ainda não receberam seu diagnóstico de TEA, mas apresentam dificuldades expressivas nas situações sociais, além de quadros relacionados a sofrimento psíquico.

Dra. Deborah Kerches

Dra. Deborah Kerches
Neuropediatria e Saúde Mental Infantojuvenil
Especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA)

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